cor, cor, cor: do rei orixá
salteando boniteza da sanha
no mar, na terra, em ar.
amor morosa rosa salitre
trevo voraz raso sombra
braseira rastejante hiante.
cor, cor amarela: exú ou ainda
ossanha que não brinca de amor
ou não permite saltear querência.
não sou, sou, não sou: mandigueiro,
galinha e êxtase pelos espelhos
de uma aurora do manhã: : :
saravá, àqueles que sonham ou
ainda conduzem o destino em
branco, branco, branco: rei orixá.
sexta-feira, setembro 01, 2006
atualidade de um tema belicoso ou de morte
benjamin, sonhando com anjos,
esteve preso a um muro de es-
pinhos e mastins, violinos tocan-
do estocadas de soldados, generais,
que conduziam ao fim, por números
impressisos em braços tatuados.
benjamin, do lado esquerdo da estória,
sonhando agoramente - jetztzeit -
com possíveis cantos iemanjáticos
duma tristeza ou solidão - língua es-
cravista - ou de rosa - em que des-
troído, ruminando balas de metralhadora
ou cídio de si.
celan, distante do eu, pela arte. entre-
vê seu companheiro, de língua, talvez
íngua inócua, em todtnauberg - nau de
morte ou realidade de silêncio - dali
se cala ou desfaz o verbo em que o isso
se dá, insiste em não se escrever. falando
sombras, digo verdade; palavra cadáver
em que o abismo do sena se fará espectro
- corpo a corpo nas águas - wortnacht!
êxtase de meu córpedra, meine fenda,
tenda das palavras de rio, rio, rio. ir-ao-
fundo, ao ir fundo, cf. celan: meine
muttersprache ist die sprache der
mörder meiner mutter. sem mãe,
a mátria escurece-se no vidro de uma
schoá em que todo poeta deva ter
aura, reconstrução, ser árabe.
terça-feira, agosto 29, 2006
Δίσκος της Φαιστού ou um paragrama em creta

da hecatombe tornada em
mel e água, vinho meticuloso,
revém da natura, origem, o
sentido ágrico, árido em voltas
da cabeça plumada, do elmo
efébico, tira ou escudo em que
se escreve a inscrição de que
aqui memória já desteceu-se:
trama de mesma estória dos
brutus.
um gato, ou uma flauta direcionada,
sobrepõe o sentido da palavra
dita
escrita
grafada
em
d i s s e
m i n a
a ç õ e s
sereias de odisseus
provença fabricia
à maneira proençal:
mhia senhal, querrerte
é às avesses sentir o
sen de escripta que hã
em nume do fabrico.
mhia senhal, querrerte
é às avesses sentir o
sen de escripta que hã
em nume do fabrico.
derivação de flaubert
da cortiça na parede
relumbra a silhueta
toda gorda, bigode,
e reluz a testa despi-
da fronte-instrumento
em estória, papagaio,
santos e arsênico. mme,
sonha às avessas deste
homúnculo! foire, foi-
reconquistada: sobre-
grafa, copiosamente,
a folha que nada diz,
nada sabe ou quer.
da cortiça da parede,
abelhas rememoram
gustativamente aquel
homem-pluma.
relumbra a silhueta
toda gorda, bigode,
e reluz a testa despi-
da fronte-instrumento
em estória, papagaio,
santos e arsênico. mme,
sonha às avessas deste
homúnculo! foire, foi-
reconquistada: sobre-
grafa, copiosamente,
a folha que nada diz,
nada sabe ou quer.
da cortiça da parede,
abelhas rememoram
gustativamente aquel
homem-pluma.
érato e os românticos
se, cf. álvares, eu morresse amanhã,
não queria lápide, inscrição dos grandes,
mas antes uma mélica em que se ousasse
ouvir o palmilhar de pálpebra prestes
a cair. se, cf. dias, se morre de amor:
era-te desejo somente, espelho de negação,
e corpo que sim se morre. olhos grisalhos
em que ainda sobrevêem o vôo de ave ou
leve palha das maitacas que anunciam a
travessia do nhô.
não queria lápide, inscrição dos grandes,
mas antes uma mélica em que se ousasse
ouvir o palmilhar de pálpebra prestes
a cair. se, cf. dias, se morre de amor:
era-te desejo somente, espelho de negação,
e corpo que sim se morre. olhos grisalhos
em que ainda sobrevêem o vôo de ave ou
leve palha das maitacas que anunciam a
travessia do nhô.
domingo, agosto 27, 2006
brinde ao corpo
dyoublong? frontispício
de aquém linguagem,
some como jovens, asas
desplumadas ou dobradas,
feito livro, feito farsa: encena-
ação, máscaras. lamina a
fronte em que nossa pele
pôde se desprender, em água
fervendo, daquilo que escapa
à língua, o langor.
instante em hegel
temo perder com os olhos
o delírio em que de coisa em
coisa meu corpo soletre as
falhas, fendas, furos fixos.
temo perder com os ossos
o momento em que do vidro,
translúcido, claro, sobrevenha
a nódoa, o miasma, o lodo que
escureça a vista e retire a cal
do dia, tornando o mundo em
realidade.
o delírio em que de coisa em
coisa meu corpo soletre as
falhas, fendas, furos fixos.
temo perder com os ossos
o momento em que do vidro,
translúcido, claro, sobrevenha
a nódoa, o miasma, o lodo que
escureça a vista e retire a cal
do dia, tornando o mundo em
realidade.
claritas e consonnantia
dum golpe de fadas:
salteia no abismo da
fala em que não mais
se necessárias são as
muletas de vera verd-
ade. salteiam, bosque
de náufragos, frente
à constelada ursa, do
chão, que margeia o
sétimo número em que
a morte joga dados, ou
enxadrista, rememora
a palavra primeira, o
chão-palavra que do
poema advém sendo um
apenas abismo:
Ab-Grundsprache.
salteia no abismo da
fala em que não mais
se necessárias são as
muletas de vera verd-
ade. salteiam, bosque
de náufragos, frente
à constelada ursa, do
chão, que margeia o
sétimo número em que
a morte joga dados, ou
enxadrista, rememora
a palavra primeira, o
chão-palavra que do
poema advém sendo um
apenas abismo:
Ab-Grundsprache.
segunda-feira, agosto 21, 2006
lírica em que os nomes de tristão e isolda se referem aos de fabrícia
de um senhor, tristão, ouve-se o canto
violáceo das damas convulsivas de
negrume, fumaça, e peles sobre-puxadas
do corado noturno, do mútuo afã em.
do canto violeiro, à nau noctâm-
bula reinscreve o monturo do dia
como alvor e tempo - alguns alari-
dos e um batuque - tarde, enquanto.
compõe a morada, náufraga e noturna,
daqueles doze hemisférios hercúleos
- capelão sobredoura seu tratado cortês
em prol de damas, senhoras, solstícios.
saltam-me, de um liffey escamândrico,
os círculos de horas, minutos em
que te leio às margens da espada
ou escudo do rei marc ou daqueles
que em bretanha isolam a isla sonora
do réquiem de bebidas e muro de língua.
soçobram as esperas, hespérides, num
bosque em que a explosão de amarelo
será. soma meu corpo ouve a si como lei,
anotada de malhas e teias de lã e olhos
fechados - leva para sempre - a voz de
triz - lusco-fusco do desastre. perigo de
felicidade, sem veneno, resgata a pueril
sentimentalidade dos olhos refeitos, re-
agrupados em sua frase: i so late. frêmito,
mimo, enquanto o corpo padece das estrelas
violentas - em azul e vermelho - daquele
negrume, pele, voz.
sexta-feira, agosto 18, 2006
quinta-feira, agosto 17, 2006
trabalho oscuro
cômpito retilíneo, negroso
conluio rastejante, ocreado
convulsivas vias, magenta
com santuários, borromeu
conluio rastejante, ocreado
convulsivas vias, magenta
com santuários, borromeu
tapeçaria
em sépia, o fotograma move-se
lentamente formentando, à mem-
ória, o dia passado de um campo
- prado aberto de abetos - ou trem
em velocidade de visão ou olhar:
as cavas fermentam a espuma de
um vino que servirá o jantar.
sob um céu perfumado de azul,
o homem no espelho, lê o martin
fierro, as moradas dos cantos, e dali
descortina penumbroso lume de
sabença e calvice entre os óculos de
menino e a soberba da juventude:
glória de cantar, o dia passava em
cálices de voz, épos, após.
espada, fúria de batalha, guarda
sangue de ruído: das linhas incautas
de selvageria um hino soando. em
fervor, a cidade evoca alamedas de-
coradas de luz, sangue, azul e branco.
adagas, sutileza do corte, guarda
de malícia no sangue derramado ou
que jorra como ritmo inato, flor sem
buquê: dum graal em ponte, ciganos.
alighieri, multitudinous pictures, além
da faca empenhada de suor: feito som-
brasas e salto, delineiam-se os pecados.
sem homens, dançam as pernas em torn-
o peito arfando, arfanando, um fauno.
de três, os compósitos duma linguatura:
repetição, variabilidade e simetria; conduz-
se houver tempo ou acaso constelado.
em quatro, o buquê lança sua arfada, nó
que impossível se desfaz ao simples corte:
rio, trama, sonho, mapa. mil olhos contam
decantando palavra, então.
terça-feira, agosto 15, 2006
reflexão poemática para um possível texto ainda inconcluso
das mãos de orestes, a víbora
que mama, a mãe fenasce de si
e de seu cúmplice. o rei, perdeu-
se em fios de púrpura e más prof-
ecias. bacon o viu.
num tríptico, propor um multi poema
em que os significantes estão presos
ou soltos ao meio, na ordem de uma
tríplice aliança da música, pintura, es-
criatura.
origem do mundo

da linguagem, como realidade,
um courbet em óleo: o turco
khalil bey queria um banho de
realidade. angústia da língua, não
sobre a pélvis ou vulva, mas ant-
es conduzindo o sujeito a falacéia.
a cona de todo onde surgiu, turca,
além de uma cama. sendo, altru-
ísta, o corpo emoldurado de mãe
ou filha - talvez por isso, lacan o quis,
e o teve, como seu - mas sempre ain
da não-toda de si, mas de gozo pela
língua pela fala, pelo signo
de ser um dizer.
nóstos (1)
sem ítaca, retorno à casa
empredada dos pais. qual
allegro bachiano, perpetuo
alguns poli-sons da noite,
trevosa, em que quase na-
da dáctilo-rósea se permite:
astúcia a de imaginar que,
com panos, posso cobrir m-
eu corpo com o nó que ainda
não sei construir, com a mort-
ualha em que o busto da deusa
está estampado. heresia esta
de produir sintoma, angústia,
inibição. sem ítaca, retorno
para um além do ir...
empredada dos pais. qual
allegro bachiano, perpetuo
alguns poli-sons da noite,
trevosa, em que quase na-
da dáctilo-rósea se permite:
astúcia a de imaginar que,
com panos, posso cobrir m-
eu corpo com o nó que ainda
não sei construir, com a mort-
ualha em que o busto da deusa
está estampado. heresia esta
de produir sintoma, angústia,
inibição. sem ítaca, retorno
para um além do ir...
domingo, agosto 13, 2006
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