HOJE:
espero todos por lá
quinta-feira, setembro 22, 2011
terça-feira, setembro 13, 2011
Seminário DERRIDA
segunda-feira, setembro 12, 2011
palavra cálamo
sob o ramo, o cais
de verbos e
entradas, amoras
e teu dorso.
tens do canto, gris
escrita, uma só
língua e pérola,
pálpebra soando.
esfacelas, assim,
teus labirintos, rumor
calmo, mudas de
girassol.
em ti, asa brotada,
um caracol
de letra, leda
lente, às setas,
um só cego em
lábios inscritos de
tuas mãos. abraças
o tempo, as pedras.
terça-feira, agosto 30, 2011
moenda
so set its sun in thee
what day be dark to me –
what distance – far –
so i the ships may see
that touch – how seldomly –
thy shore?
emily dickinson
deitas a pele, o braço e
à marca – leve pluma
de tinta – o rosto reveste
o calor de dias.
cantas-te a flama ainda
pérola, estampido –
hora extinta, promessa –
calando a foz.
móis o sem tido da
palavra – encalacrada –
forrada de fora e
colina.
assim, rubra, tua língua –
um outono de distância,
flor, deixada – sopra o
infindo penhor.
às lentes, rútila sílaba
feita, brisa e alvoroço, de
onde vejo e me
vês, revolto.
domingo, agosto 07, 2011
alba: trobar leu, o visivo do joglar
pedra-e-cidade: vila de médias –
o tempo, um outro. azur, violáceo.
route et grotte: à beira, cabreiras.
um só passo – de pá a pas – de forma,
o só aroma, vã lavada, desse meio
a mezzo.
cidade-e-pedra: court à la villette.
de vulgari – a lauzeta de ventadour –
um todo parque de girassol, a língua,
sim, oxida em ouro – uma mais mas –
de mim, outro, a meio – o som, leve,
de engastes.
sexta-feira, julho 08, 2011
limite
pela salitrada refração dos muitos sóis;
– arqueja a ilha.
mário peixoto
corpo rente, no próprio
da palavra –
esperas, à cava verde
ondeando, monturo
falhando, um
só pulso, de assim,
erguer-te – como se
o prisma de teus
aterros soprasse sono
e calas, temperança, o
olho que goteja pássaro
e torre, pasto de
hora e gleba – lua luta,
nova –, só passos:
aspiras o gesto – tuas
ilhas – de casa e cal, a
que foges, desperta.
um só ponteiro, gorjeio,
refém de afãs, esta,
mnemonau.
quarta-feira, julho 06, 2011
novo ensaio
meus caros,
segue o link de acesso do meu mais novo ensaio.
aliás, o tenho como um de meus prediletos...
sobre a questão do nome em joyce e freud.
divirtam-se.
http://www.anpoll.org.br/revista/index.php/rev/article/view/193/205
segue o link de acesso do meu mais novo ensaio.
aliás, o tenho como um de meus prediletos...
sobre a questão do nome em joyce e freud.
divirtam-se.
http://www.anpoll.org.br/revista/index.php/rev/article/view/193/205
sábado, julho 02, 2011
escrever, mild und leise
no escarcéu-reboante
do mar gozoso,
no úndeo-perfúmeo,
no eco-ecoante,
no mundo-alentos
do todo-arfante
embeber-me,
fundo-abismar-me,
incônscia numa
suma volúpia!
richard wagner
(transcriado por haroldo de campos)
à hora deixada de luz,
sob a mesa, papéis e névoa,
o tecido manso ricocheteia
de coitos e gracejo – só foz
inaudita,
avançando o longo, fogo –
à fala, às mais de sussurro,
o fumo. estranha, pluma
lançada – eis, e eu – um só
riso de ouvir, palavra:
dedos, metal de máscara,
grãos de rastro, sobrevêm
míopes e finos. e tu, roseta,
calcas o senso, o mocho de
dentro e fora, a nu –
de um sol, trepidando,
fora, em hastes – doce o
cálculo, circular, ínfimas
almáfegas as letras – o só
trino.
a luz, breve bafo à
voragem, pleno-
dito, pensar o verso
e a letra – branco –,
leite guardado.
sexta-feira, julho 01, 2011
canto / ato
i
paço e forro – colorem-te
terras, vau de último retorno.
ao miasma, conduz-me palavra
de sorte e parte, ante
o curtume, de sílaba.
ii
fogo e litígios ao ponto conforme –
nome demora, pelugem sob
enxame, ao que confias, teus
atos, sob letra e fagulha,
despindo-se, de som.
iii
um só lamento, sombra e deicídio –
ao passo do justo – juízo deixado –
fuças o início, entrelaçado traço,
ao que cais, entre escudo e morada,
de mesmo, em verso.
iv
língua álacre: o pesadelo –
feres o rochedo, pária,
lavrando-te em figura, coses,
lacerando a porta, o fecho,
avanças sobre a cinza.
v
cavilhas a folha, o feno,
enquanto há repouso –
da mão, fase a foz,
lume de servos, o nome –
reviras o alarde, rangendo.
segunda-feira, junho 27, 2011
lira aos 7 anos
para que tú me oigas
mis palavras
se adelgazan a veces
como las huellas de las gaivotas en las playas.
pablo neruda
isolas loas e sóis, esse riso.
do figo, o pasto em onda,
beijas o vento, enquanto
plena, planas à pele, em
que tudo flore: outeiro
e tigres; em si, engaste.
um mar dista, freme a
fome – espéculo de dia –o só sol, ocupas o sonho.
às vezes todas, falanges,
teus eternos olhos, dizes,
fugindo, de um mesmo
olor, de regresso, lar
meia lua ou lírio, o tempo.
percorres o espesso, foz de voz, ainda mais,
à frente, fantasmas de
ocre – feixes de pequi
e folha, brotando – eis
os passos que, enfim, espero.
dentro de nossos 12 anos, 7 devem ser agora celebrados, escrevo-te essa senha
a fabricia, claro.
quinta-feira, maio 05, 2011
un tout petit cri d’amour
à celle dans mes rêves et mes jours,
mais encore là, lointain.
lorsque le poème démarre,
aux yeux, le sourire et l'effroi:
l’un, cette temps, ce qui
rêve, les jouets et les
fleurs tous.
mais oui, aux yeux,
je puis voir – des cristaux –
le sang lointain, restent tes
doigts. quoi qu'il en soit,
aux yeux, le sourire et l'effroi:
l’un, cette temps, ce qui
rêve, les jouets et les
fleurs tous.
mais oui, aux yeux,
je puis voir – des cristaux –
le sang lointain, restent tes
doigts. quoi qu'il en soit,
dit-moi
à main, tourné,
de la joie, cet après-midi, dit
désormais, que la vie.
alors, ta musique, ce qui
est égal à moi dans l'ombre,
en branche, toujours
fragile,à main, tourné,
de la joie, cet après-midi, dit
désormais, que la vie.
alors, ta musique, ce qui
est égal à moi dans l'ombre,
en branche, toujours
dont l’on voile, entre le fleuve
et le bassin.
quinta-feira, abril 28, 2011
canto de consolo e retorno
para a fabricia, que está longe, e perto
véu e voz, a tua –
brisa e falha – em
contorno; fazes a
fonte, o retorno
em que me habitas.
asas, canto gris, teu
rosto, retorno e re
talho – só, às mãos
tuas lançadas – terno
de estar-se, vindo-te:
a só boca estanque,
aguardando, ao
que devo guardar.
dia e consolas, fuso
deslocado, ante a
mim, o só presente,
em teu esboço, caderno
e mármore, de ramo frágil
e língua cega, antes
de tua única madrugada.
terça-feira, abril 26, 2011
na zunái
revista ZUNÁI
publicou uma coletânea de poemas meus...
quem, por aqui, por lá...
http://www.revistazunai.com/poemas/piero_eyben.htm
e, para além, umas traduções de paul celan, auch:
http://www.revistazunai.com/traducoes/paul_celan1.htm
publicou uma coletânea de poemas meus...
quem, por aqui, por lá...
http://www.revistazunai.com/poemas/piero_eyben.htm
e, para além, umas traduções de paul celan, auch:
http://www.revistazunai.com/traducoes/paul_celan1.htm
terça-feira, abril 12, 2011
argos
opaca morada e demora –
assim vais, desvaneces; em
plumas – pavos – de espáduas,
arestas, teu corpo, de óleos.
contas a feição e uma só parte,
parente e atos – manivelas sob
io, aguilhão de tiranos, mais
acima – através, num só foco,
do corpo sem órgãos.
ainda, uma pele – lançando-se –
dilacera o membro premente;
fraturas, a ti mesma, o ânimo – do destino.
in scriptum
Ἄργος Πανόπτης
segunda-feira, março 21, 2011
“ ἦ κάρτα μάντις οὑξ ὀνειράτων φόβος ” **
leda sorte, guardas tua pítia –
a fórmula, a nesga,
eis que sobreposta a morada.
baldio nascimento, o converges
em mais calma e vinda –
soletra o cálculo, mor.
soas o depósito, alfanje
e pedaços – a carne toda –
investem o pálio.
assim, o ponteiro gris,
amargo e tênue,
molda-se a tua serpe –
aspiras, em côncava mão e
tripé – canto de canto – trinando,
ainda o calor da lei, efusa.
** "o horror advindo de sonhos, muito adivinho."
(ésquilo, coéforas, v. 930)
(transelenizado por mim)
domingo, março 20, 2011
scenopoietes dentirostris
dada à terra, os dentes
de alas e sopro, sobre-
põe-te, o corpo –
marca do leve: bruta.
um só, sobre galho,
falas o
noturno, o mimo
todo, de água, respingo –
sentes, à cor, nácar e
âmbar, ipê e jaspe –
enquanto cantas,
o calo, que é plano,
casa.
domingo, fevereiro 27, 2011
nênia para benedito nunes
“os homens não começam a filosofar senão quando deles se apossa o thaumazein, incomum estranhamento admirativo do mundo e das coisas, reconhecido pela tradição platônico-aristotélica. condicionada afetivamente, e por esse motivo paixão do pensamento, a filosofia será também, na medida em que tenta compreender o irracional, pensamento da paixão.”
benedito nunes
há tempo de crivo e cravo:
o olho do homem, sobre as
barbas do homem. eis o drama,
corrói de dor e falanges a
fala, lóxias e clara, frente
e freme – de a escrita fazer-
se lança e ponta ao dorso
centeia.
à máquina todo pode,
sorrir-se entre a desde
razão de lançar-se, aí
teu ser, teu ensino –
constrange-nos a obscura,
a sã e douta imagem,
angústia e mãos, tecendo
lentas.
eis o papel do tempo,
as marcas devastadas,
de sol a solo, areia e
vento – passagens (o
weg o vago) – da natureza
voltar-se ao repouso, em
ti agora – tu fazes, e flui
em corpo.
e pólemos, calando-se,
dá-se à testemunha da
escrita, de vontade, assim,
pathos.
aquele que ensina pensar, passando-se ao poético.
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
lethe: ὃ δὲ φρεσὶν ᾗσι χάρη καὶ ἐέλπετο νίκην **
“l’oubli, la mort: le détour sans conditions.le temps present de l’oubli délimite l’espace non limité où la mort retourne au défaut de présence. se tenir en ce point où la parole laisse se rassembler l’oubli en sa dispersion et l’oubli venir à la parole.”
maurice blanchot
(a)
folha de horas, teus véus, tuas pétalas:
em um só; esquecer o descarte, lançar-se
à mão do ato – há apenas sorriso na queda;
dedos arqueados, a boca pende, fenda e favo.
(b)
o branco aberto aos poros: encontro e enigma;
à parte, a cinza e barba: a fala dos seixos, o
nulo de ainda – um só sopro e a gralha de
legítimo mover-te, um beijo e a face.
(aa)
todo gerânio abrasado. em ferida,
calas o berço e o traço, a pena ex-
tinta. lar de nuvens, asas, as dás
do fuso sono talhado, murmuras.
(bb)
súbita, pele decomposta: a voz.
aguardas, da boca o mundo
flutua
um só estilhaço,
lâmina, ultimas.
** "rebrilhou-se no imo, à vitória, de esperas"
(hom. ilíada. c. xiii. v. 609)
(transelenizado por mim, tentativamente)
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
palavra e avesso
“quando eu nasci
o silêncio foi aumentado”
manoel de barros
alta, a noite e seus
martírios: cediça
palavra, de frase e escape –
aguardas cansada o
bom termo, a folha e
seu motim – a escrita
e seus sulcos, de
véu
e memória.
terça-feira, fevereiro 22, 2011
terzinas de nome e sombra
“das geschiriebene höhlt sich”
paul celan
à mão dada, o cálice –
ninguém, à espera, deixa-se,
fome e fonte e achas.
um só molde, tens ao pó,
palavra e gris –
nada na direção do tempo.
claro o branco iroso,
cantas e esfolas teus sinos,
à pele, minha, dado o nome.
descansas, perto do escuro,
avisto e vis vilas –
a imagens, a nado de letras.
velas o tecido – amortecido –
brandindo,
candelabros, às varandas.
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