há um johnny - de machado -
dentro de qualquer forma.
domingo, julho 30, 2006
suprir a matéria

metafísica da forma: kasimir
malévich, geômetra do céu em
branco.
de alguns retângulos: vermelho,
amarelo, preto, azul, respectiva-
mente.
um avião se faz planar, sobre a
tela - on canvas - tudo como que
de branco no brando.
entre a matéria de tinta e a matéria
pintada, uma outra coisa que costuma
chamar arte.
a cercania de uma festividade
como que das distâncias
apartado, os olhos rarejam
algumas imagens do final.
assim pára, toma da água e
do vinho (2 partes por uma):
o reflexo de uma alegria de fum-
aça - nas assaduras do tempo -
e o júbilo de - tendo escrito na
parede: porque no sé res.
comíamos, no entr'espaço de
duas linhas, alguns petiscos de
alguma conversa: risos, só risos
à toa.
saldo: rubros, sem sapatos, alguns
caídos, dança, fumaça ao léu de
nossas (in)consciências consistentes.
saldo: menos bergman, mais nietzsche,
ainda um mallarmaico brinde -
solitude, recife, estrela.
um último traçado, em escrita ou
melodia - pouco importa - de feliz
morada, abraços, como devem ser
aqueles que bebem vida - como pound -
mesmo de quem se retira.
apartado, os olhos rarejam
algumas imagens do final.
assim pára, toma da água e
do vinho (2 partes por uma):
o reflexo de uma alegria de fum-
aça - nas assaduras do tempo -
e o júbilo de - tendo escrito na
parede: porque no sé res.
comíamos, no entr'espaço de
duas linhas, alguns petiscos de
alguma conversa: risos, só risos
à toa.
saldo: rubros, sem sapatos, alguns
caídos, dança, fumaça ao léu de
nossas (in)consciências consistentes.
saldo: menos bergman, mais nietzsche,
ainda um mallarmaico brinde -
solitude, recife, estrela.
um último traçado, em escrita ou
melodia - pouco importa - de feliz
morada, abraços, como devem ser
aqueles que bebem vida - como pound -
mesmo de quem se retira.
quinta-feira, julho 27, 2006
lírica para fabrícia, novamente
conduz-me com a mão
que, pueril, solfeja a mes-
ma nota de morada.
conduz-me com a boca
que, toda nudez, ensina
minha parte em contrário.
conduz-me com a vulva
que, toda lábio, convulsa
meu mais confuso gesto.
conduz-me com a testa
que, franzida, perplexa
o outro que sou, em ti.
pós-olor
enuncio:
renúncia do nume -
palavra inscrita -
que deplora o
canto.
renuncio:
enunciado de carne -
palavra estrita -
que, de fora,
cala.
anuncio:
prenúncio dediróseo -
palavra constrita -
que demora,
solstício.
colore todo
um cio - estro -
de música e motivo
escrita que degola
o canto, a fala, o sol.
arnaut espanta o tédio
er vei vermeills, vertz, blaus, blancs, gruocs
vergiers, plans, plais, tertres e vaus,
e•il votz dels auzels sona e tint
ab doutz acort maitin e tart.
so•m met en cor qu’ieu colore mon chan
d’un’aital flor don lo fruitz sia amors,
e jois lo grans, e l’olors d’enoi gandres.
vinte pinturas para construir um poeta
01. p. cézanne, chateau noir.
02. m. escher, o limite do círculo.
03. p. klee, peixe dourado.
04. g. klimt, die jungfrau.
05. m. caravaggio, a crucificação de são pedro.
06. l. da vinci, virgem nas pedras.
07. d. velasquéz, las meninas.
08. rembradt, aristóteles contempla busto de homero.
09. j. miró, detrás do espelho.
10. p. picasso, la tauromaquía.
11. c. monet, ponte japonesa.
12. m. duchamp, nu descendo a escada.
13. v. van gogh, irises.
14. k. malevich, suprematismo: avião voando.
15. j. vermeer, a arte da pintura.
16. f. bacon, orestia.
17. piero della francesca, madonna del parto.
18. p. uccello, a caçada.
19. f. kahlo, duas fridas.
20. j. van eyck, o casamento de arnolfi.
02. m. escher, o limite do círculo.
03. p. klee, peixe dourado.
04. g. klimt, die jungfrau.
05. m. caravaggio, a crucificação de são pedro.
06. l. da vinci, virgem nas pedras.
07. d. velasquéz, las meninas.
08. rembradt, aristóteles contempla busto de homero.
09. j. miró, detrás do espelho.
10. p. picasso, la tauromaquía.
11. c. monet, ponte japonesa.
12. m. duchamp, nu descendo a escada.
13. v. van gogh, irises.
14. k. malevich, suprematismo: avião voando.
15. j. vermeer, a arte da pintura.
16. f. bacon, orestia.
17. piero della francesca, madonna del parto.
18. p. uccello, a caçada.
19. f. kahlo, duas fridas.
20. j. van eyck, o casamento de arnolfi.
bacas

com um traço flavo
de lauri-fel, rubens
reveste-se de banha
vinho mijo bode nó.
com a luz fulva, o
bicho - cão-tigre -
esbraveja sob pé
vinho mijo bode nó.
o sátiro, logo atrás,
rubens o esconde,
com a cona da baca e
o cacete de baco.
as crianças, ao lado,
bebem, mijam, bodejam
nudus nodus sobre-
vêem o êxtase, porvir.
catuliana
clódia, cláudio claudicante
colore a casa de catulo, feito
livro impresso emoldurado
e então batem-se tímpanos -
bacas gélidas - ao êneo címbalo;
tudo flauta - todo bartók.
das inúmeras amantes ou inú-
meros, catulo - a flauuis dedicou -
deduz-se então, mea lesbia, o as-
sim fervente carvalho fosse apenas
vindo do seu nome: fulvo, louro;
como citeréia. lacera peitos desnudos.
envoi
pousa, som,
como pousam
os amores de
catulo, sobre
o colo caiado -
em disfarce.
colore a casa de catulo, feito
livro impresso emoldurado
e então batem-se tímpanos -
bacas gélidas - ao êneo címbalo;
tudo flauta - todo bartók.
das inúmeras amantes ou inú-
meros, catulo - a flauuis dedicou -
deduz-se então, mea lesbia, o as-
sim fervente carvalho fosse apenas
vindo do seu nome: fulvo, louro;
como citeréia. lacera peitos desnudos.
envoi
pousa, som,
como pousam
os amores de
catulo, sobre
o colo caiado -
em disfarce.
enfo(r)cando
villon:
nous préservant de l'infernale fouldre
nous sommes mors, ame ne nous harie
em que se ouve um haver de ave, infer-
no de morte, papelão e banjo. fulmina.
não falte o dia em que o olvido encerre
a memória do grão. morre, o que é doce,
ca aqui non sui son maistre, de mês, o que
qui e 'ora sobr'vor est'olor pur'fror. dança.
junto ao junco da junça - caiana da brava:
aquele que esbraveja à barbárie, espumosa;
a-que-incha: aqui não tem cachaçada é
hommes, icy n'a point de mocquerie.
cinco ou seis dependurados ao léu, luys
sors, como outrora em tchékhov, um
dos ivans. maciça a cana que de dentro
o endro sobrepuxava, mais combien d'
oiseaulx, tudo ameralim, verdim. abs-
sorve a planta, plaina o plateau.
baixe os olhos, globos d'esmerarda:
esmero smart como o chico, o velho.
baixe os olhos, feitos de prece:
apressados três martelos que sucum-
bem doutro lado, com água no meio,
borboletas - priez dieu - como as virgem.
entre cinco ou seis pendus há um respiro -
lá o pesar não acha permanência (guido) -
não convém moça direita olhar cinco hom-
ens nus-vestidos: ventadour: ao ver a ave le-
ve mover. desprezo quem esconde a canção
num tabuleiro, como quem não joga dados,
como que não come carne, como corpo mort-
o cai. freme, treme, françois.
nous préservant de l'infernale fouldre
nous sommes mors, ame ne nous harie
em que se ouve um haver de ave, infer-
no de morte, papelão e banjo. fulmina.
não falte o dia em que o olvido encerre
a memória do grão. morre, o que é doce,
ca aqui non sui son maistre, de mês, o que
qui e 'ora sobr'vor est'olor pur'fror. dança.
junto ao junco da junça - caiana da brava:
aquele que esbraveja à barbárie, espumosa;
a-que-incha: aqui não tem cachaçada é
hommes, icy n'a point de mocquerie.
cinco ou seis dependurados ao léu, luys
sors, como outrora em tchékhov, um
dos ivans. maciça a cana que de dentro
o endro sobrepuxava, mais combien d'
oiseaulx, tudo ameralim, verdim. abs-
sorve a planta, plaina o plateau.
baixe os olhos, globos d'esmerarda:
esmero smart como o chico, o velho.
baixe os olhos, feitos de prece:
apressados três martelos que sucum-
bem doutro lado, com água no meio,
borboletas - priez dieu - como as virgem.
entre cinco ou seis pendus há um respiro -
lá o pesar não acha permanência (guido) -
não convém moça direita olhar cinco hom-
ens nus-vestidos: ventadour: ao ver a ave le-
ve mover. desprezo quem esconde a canção
num tabuleiro, como quem não joga dados,
como que não come carne, como corpo mort-
o cai. freme, treme, françois.
segunda-feira, julho 24, 2006
série borgianas (1)
édipo e o enigma
quadrúpede na aurora, alto no dia
e com três pés errando pelo vão
âmbito do entardecer, assim via
a eterna esfinge ao inconstante irmão,
o homem, e à tarde um homem vaticina
decifrando aterrado, no cristal
da monstruosa imagem, o fatal
reflexo de seu destino e ruína.
somos édipo e, de modo eternal,
somos, no vasto e tríplice animal,
o que seremos e tenhamos sido.
aniquilar-nos-ia ver a ingente
forma de nosso ser; piedosamente
deus nos depara sucessão e olvido.
quadrúpede na aurora, alto no dia
e com três pés errando pelo vão
âmbito do entardecer, assim via
a eterna esfinge ao inconstante irmão,
o homem, e à tarde um homem vaticina
decifrando aterrado, no cristal
da monstruosa imagem, o fatal
reflexo de seu destino e ruína.
somos édipo e, de modo eternal,
somos, no vasto e tríplice animal,
o que seremos e tenhamos sido.
aniquilar-nos-ia ver a ingente
forma de nosso ser; piedosamente
deus nos depara sucessão e olvido.
domingo, julho 23, 2006
carmina
tinge-se de vermelho,
túrgido.
tinge-se - cor de sol -
mélico.
tinge-se, magenta,
contrário.
tinge-se de poema,
aurora.
tinge-se toda de abrir,
a ti.
túrgido.
tinge-se - cor de sol -
mélico.
tinge-se, magenta,
contrário.
tinge-se de poema,
aurora.
tinge-se toda de abrir,
a ti.
poema sapiencial
o nome - saber
de outros tempos -
compõe-se de ara-
bescos e benjoim,
tudo névoa de
t a p e t e.
harmônica: sabe-faz
o relógio, mola de
corda do tempo, com-
põe a coroa de negrume
em apenas cimento
- estro/cio -
regina madre: como
outrora este saber -
dante o assina com
um nome de canto -
consolava os ébrios
cavaleiros: donna
mhia para sempi-
terna, mhia senhal,
consola ca meu peito
a r d e desértico.
ez novamente

na cadeira,
com suas rugas,
o velho poeta -
não sábio, não poeta,
não santo: desconfio -
pousa em ideogramas,
pisan cantos pisando
a atmosfera nubilada
polimétis de moderna-
idade.
and then went down to the ship,
e'tão vão pra nau
ez, sobre a cadeira,
não sonha madelaines,
ou pedaços crocrantes
de irrealidade, mas
i punti luminosi.
sábado, julho 22, 2006
pomar da língua
a mátria iniciou-se:
século xii(i), taveirós:
No mundo non me sei parelha,
mentre me fôr como me vai,
ca já moiro por vós – e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando voz eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel dia’, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ua correa.
guarda pois a letra trans-
formadas em semelhança
guarvaia = turquesa nobre
à pobre ribeira, mhia senhal,
poesia.
século xii(i), taveirós:
No mundo non me sei parelha,
mentre me fôr como me vai,
ca já moiro por vós – e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando voz eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel dia’, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ua correa.
guarda pois a letra trans-
formadas em semelhança
guarvaia = turquesa nobre
à pobre ribeira, mhia senhal,
poesia.
entr'acte

dante: uscimmo a riveder le stelle
puro e disposto a salire alle stelle
l'amor che move il sole e l'altre stelle.
rever estrelas - entremeados -
iessiênin no hotel inglaterra:
nada novo nesta vida; rever,
sonhar estrelas: inferno, purga-
torio, paradiso. soluçam sílabas
limbas: homero, lucano, virgílio.
o velho sábio cantaria outra só
estrela, movência.
sexta-feira, julho 21, 2006
sképsis
hiperbólica in-
genu-
idade do ho-
mem: colocar
a si mesmo
como
sentido e medida
de valor das
coisas.
am i blue?
nihil est
nihil est
est nihil
genu-
idade do ho-
mem: colocar
a si mesmo
como
sentido e medida
de valor das
coisas.
am i blue?
nihil est
nihil est
est nihil
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