terça-feira, março 16, 2010

a lume spento

or le bagna la pioggia e move il vento
di fuor dal regno, quasi lungo 'l verde,
dov' e' le trasmutò a lume spento.
*
[e o banha a chuva e o demove o vento
para além do reino, cercando as margens
do verde, onde o transladou a lume extinto.]

dante alighieri, purg. iii, vv. 130-133


coberta a cabeça, pré-
claras manhãs, o
medo, o sentido
se escorre,
calando-se, na
fala –
faunos e gárgulas,
monturo de moradas.
o dizer revê aquilo,
que em ti vive, má-
cula da palavra,
a voz repreendida, no
óbito, do
olvido:
órbitas daquilo
que se separa, tronco
e pescoço, vindo
ao pó de vestes,
paras. chiado –
ausência do manto –
mantém-se descendo
o calor do mais verbo,
a mor, pó dor. tudo,
enquanto decalcas
a sombra, o medo,
o nada. minguando-
se os fios, temendo.
a boca e o pincel,
o dedo nas mais
cordas – tão –
soluçando, ao
caminho, mais
tenso: espectro,
e aguardas. dei-
xando-me mais
a mais de tuas
rosas – só lustro –
spento – o corpo,
esfumaças da ponte,
rebentas, colhido.

Um comentário:

Andrea Liette disse...

Tal qual Orfeu -

sua poesia habita toda órbita :

arrebata.