quarta-feira, fevereiro 19, 2014

nênia para bianchetti


têmpera e tempo, o
ocre e as mãos descidas,
deia aos frutos –

de cirandas, o círio
fumegante, a cor
o oco gravando a
tez:

explosão castanha
entre o azul e o
abraço – retorces
o minuto de risco
e rasgo, o prato
pleno – teu cão
estacado dia a
diante – sobre
lençóis de
lázaro.

domingo, janeiro 12, 2014

sopro a mais



um passo de flor,
estancas – e sub
mersa em falas, nós
e dons.

teus olhos, como que
pedras, de fato, a
pele, os músculos,
tensionados.

arranhas o tecido
solar, do dito de
pássaro e só canto
vagas e oblíqua, lenta

o silêncio se vai, vão-
se os cravos enlevados
golpeiam e inundam
cada vaso, cada átrio.

um passo de flor, sem
narcisos, sem sépalas –

o que resta de pulmão
de onde cessas, sopras.

carne despida, rumor
em que fogem os
sonhos, o lume, a
noite e o escuro.

    

quinta-feira, dezembro 05, 2013

nênia para nelson mandela




compareces em mesmo
testamento, testemundo –
esse da justiça, um só
terço –

teu olhar de dom a tom
escolhe, enquanto dizes,
diante da lei, o respeito
brando, sempre negro.

o mundo, de repente,
esgarçado, como tudo,
espera como que a
raiz calma, e nutres
de si, preso liberto, a
imagem do outro,
perpétua
               mente ali, por vir.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

nênia para jeová




“desconfiam e aqui eu saúdo / sob a toalha as tenras carnes / como brinde à dor insaciável / com o encorpado vinho rubro” 
(jeová franklin, “abnia/ainda”)




vai, amigo –
desse é o tempo que
te corre, ainda, como
a cor e o cor de teu dia,
sorriso que sopra
o cortante, o exato.

vai, amigo –
entre a tinta que, derramada,
deslancha sobre a
madeira de imagem,
o todo fantástico de
um só suor, teu
brinde sempre
erguido, à festa
e ao pó.

vai, amigo –
sem adeus, sempre
mais, bem mais,
na dor que permanece
em cal, em letra –
a tua dura face
de pedra –
vai, amigo –



domingo, outubro 27, 2013

nênia para lou reed





a selva em um ruflo,
dessa corda elétrica, des-
se músculo, o peito ar
fante – um uivo, um fulvo –
de flor transtornada, vez
tida de margem, de mácula:



esse teu nome à lou,
« souvenir qu’on oublie » ;
crianças à cama,
what do you say? live(r),
enquanto fluem, a saber,
o branco, o líquido, o dia.