do monte ida, altas-falanges,
tombou hephaistos, o coxo e
filho de hera, cabelo de vaca.
de lá, o deus sobrevive a exec-
untar obras-escusas, panóplias
dêiticas, excelso de amizade por
ninfas do baixo oceanos. abre-se
a grande caixa de esperas: do neb-
uloso céu desce os olímpicos, sem
linguagem, apenas hermes. neste
florim - nacarado - descreve, a
leitora pungente dos versos, diá-
rios. past eve and adam: a queda
do ovomaltine humpty dumpty:
when i use a word, it means just
what i choose it to mean - neither
more nor less. em tom (h)i(st)r(i)ônico.
das ist: frau olímpia, disse. entoa
aquele sorriso de gargalhada todo
rosto, toada face, matriz do deleit-
oso. sem linguagem, o-de-pés-alados
decifra o gole de acasos que, por uma
noite flava de gema (ou gêmea morada)
os olhos tubérculos de letras. um poliedro
da escritura, proponho a cada diá-
rio. como aquele que ao meio, terceira
margem, se descubriu homem, sendo
donzela e ao fim (ai, meu amor) no meio
quase da rua. ali é seu lugar, posto, obser-
vatório - de vate - para sorver aquosa
linha a linha, palavra a palavra, imago.
do monte ida, desce a que poderia ser
mãe de alexandre - baca, dizem - por
querer grandeza, de vida não de vinho
(semper ez), um pound cada gesto, pois
nada adianta. para essa que de lá sobre-
vem, não tão sem linguagem, há muito
mais que haicai, há sophos, sonhos, sons.
a leitora legisla leitos lépidos e léus ou véus:
de nada precisa estar no helesponto, a chico-
tear o mar, mas ali na tulha com seus frutos
- prendendo-se à crina, a casca dura - e amor.
hulha-azul, tua morada, olímpica serve (cerce-
ando) os manjares ou ambrosias de cacau.
perfaz as folhas das ondas, como lâminas que
cortam o sol, sombreado de livros livres do pó
vermelho e seco deste plano-borboleta em que
pousados, estamos. tonsura cada página a cada
hora, relógio martelado de numes, até nada
mais haver entre as notas e o texto, como cober-
'tas de morango e ovelha. lépida, lenteias a
leitura - prazer mais que barthesiano - está no
além, no afã de. da crisálida, olhos de felicidade,
torno à larva, para apenas reconhecer a quem,
maior que aracne, e miglior fazedora de escudos,
lê leitosas e lentas pomas de versos.
domingo, agosto 13, 2006
b(l)oom
dom flor: milimétrica
desmesura de palavras.
molly: vilole(n)ta de lenços
à espera, pensa ou goza.
dom flor: passos de pensar
noutra narrativa, vozes.
molly: menção apenas para
50 páginas ao fim, sem ponto.
dom flor: walpúrgico trans-
formaser - mulher de asco.
molly: gilbratar e canteiro
de blooms, solfeja na boca.
dom flor: chapéu ie(vem já)
manjar rim ou mesmo cornos.
molly: ventre seco, menos um
quem nasce, pobre rud-.
dom flor: ? ...
stephen: recalque, fantasma,
pai, hamlet, shxpr. outra forma
de nóstos, sem ítaca. espera res-
piro do sol nos corpos dos bêbados,
anunciando o penman do finn ou
do começo da escrita-
estrita-traum-tura.
desmesura de palavras.
molly: vilole(n)ta de lenços
à espera, pensa ou goza.
dom flor: passos de pensar
noutra narrativa, vozes.
molly: menção apenas para
50 páginas ao fim, sem ponto.
dom flor: walpúrgico trans-
formaser - mulher de asco.
molly: gilbratar e canteiro
de blooms, solfeja na boca.
dom flor: chapéu ie(vem já)
manjar rim ou mesmo cornos.
molly: ventre seco, menos um
quem nasce, pobre rud-.
dom flor: ? ...
stephen: recalque, fantasma,
pai, hamlet, shxpr. outra forma
de nóstos, sem ítaca. espera res-
piro do sol nos corpos dos bêbados,
anunciando o penman do finn ou
do começo da escrita-
estrita-traum-tura.
para o miguel
hoje, festa de anos
naquela morada de
sonhos ou memória.
hoje, festa de olhos
naquele novo corpo
de peles e sonhos.
hoje, festa de beijos
como quem carece
atenção ou mimo.
hoje, festa de festa
tudo deslumbre de
imenso fungar-te.
hoje, festa azul ou
ocre, entre choro e
respiro, passos e
desequilibro, a vida.
naquela morada de
sonhos ou memória.
hoje, festa de olhos
naquele novo corpo
de peles e sonhos.
hoje, festa de beijos
como quem carece
atenção ou mimo.
hoje, festa de festa
tudo deslumbre de
imenso fungar-te.
hoje, festa azul ou
ocre, entre choro e
respiro, passos e
desequilibro, a vida.
quinta-feira, agosto 10, 2006
variações da fala
no épos: cantar dos estórias
em que a linguagem é apenas
a diferença. desafinar o desalinho
do coro poundiano, para o novo.
em que a linguagem é apenas
a diferença. desafinar o desalinho
do coro poundiano, para o novo.
livre possessão de mulheres
de uma luz em elêusis, mistério:
esquartejaram o rei, olho-de-cão,
o estado separagmós pelas mãos
de quem, em púrpura, poderia se
confiar ou confinar? o canto em
elêusis não mais não mais, o poeta
parte e se queima a escuridão do
texto - pentâmetros em véu - p/
não mais atormentar a iniciação
das jovens que maldizem, em sua
procela artemísia, aquele seu estado.
esquartejaram o rei, olho-de-cão,
o estado separagmós pelas mãos
de quem, em púrpura, poderia se
confiar ou confinar? o canto em
elêusis não mais não mais, o poeta
parte e se queima a escuridão do
texto - pentâmetros em véu - p/
não mais atormentar a iniciação
das jovens que maldizem, em sua
procela artemísia, aquele seu estado.
ego scriptor cantilenae
ao ouvir le testament -
pound via partitura -
a novidade tornou ao novo.
os ouvidos perplexos de
sopranos desafinando, gemen-
do ou ainda da baladetta canta-
da por um menino que segundo
consta perderá os testículos.
com mélicas, também se bebe
vida - dizem os bêbados do villon
abandonado - ao contrário do
pilão ensangüentado na mão de
mítia. ao ouvir le testament - volta
a novidade, e podemos ter sonhos
de infância.
pound via partitura -
a novidade tornou ao novo.
os ouvidos perplexos de
sopranos desafinando, gemen-
do ou ainda da baladetta canta-
da por um menino que segundo
consta perderá os testículos.
com mélicas, também se bebe
vida - dizem os bêbados do villon
abandonado - ao contrário do
pilão ensangüentado na mão de
mítia. ao ouvir le testament - volta
a novidade, e podemos ter sonhos
de infância.
memória em sonho
havia, segundo consta
pelo caminho, em minha
memória, um cupinzeiro.
destes terra-cota salpica-
dos de gris cegos. fascínio
da infância, com um pau,
quebrar as entradas e
assim também as saídas,
com medo da mordida, tan-
to quanto das formigas cabe-
çudas - quanto açúcar o azul
do céu pelo caminho me dispensa.
desta enorme torre tive notícias
anos após, quando pela primeira
vez vi, o inapreensível vil para vi-
são de uma criança: a babel repre-
sentada pelas mãos do bosch. era,
e até hoje, medonhamente real
aquelas entradas e janelas das línguas
da minha infância: quanto aos cupins,
que provavelmente já desertaram,
suas multi-línguas me sentenciam
em sonho, apenas às vezes (espécie
de felicidade?), como que dizendo que
há algo que não é apenas memória e
escrita; há o tempo e o modo.
tucum
escorre esmalte de tucum
na veia:
do muriti, do muar maldizer.
de fracta:
se diz mulher, morosa, de tear
em que se cose um ponto:
bordado de renda
purpúreo mar de
terra, areia e pó.
na veia:
do muriti, do muar maldizer.
de fracta:
se diz mulher, morosa, de tear
em que se cose um ponto:
bordado de renda
purpúreo mar de
terra, areia e pó.
brás'ilha (1)
como que de um sobrevôo,
a asa de borboleta percorre
o verde oxigênio que é concreto.
pendendo, feito balança ao
vento, perfaz-se um furo ao
norte da rosácea, toda rubro-terra.
como quem vem e pousa sobre
plano de terra, o sobrevôo desenha
o lume das costas que intervém
no desenho - função de beleza -
vermelho do céu-horizontal:
em todo mármore, fantoches do
populacho, doutro lado soergue-se,
partido ao meio, um buriti rei que
(de) vigília a loba.
terça-feira, agosto 08, 2006
sophia (3)
sobre a tela, com sua cauda,
seus olhos, lânguidos, almejam
um etéreo. talvez, a felina queira,
apenas por um instante, tornar-se
sofia alienovna: seu inquisidor
viria após para domar os pêlos.
seus olhos, lânguidos, almejam
um etéreo. talvez, a felina queira,
apenas por um instante, tornar-se
sofia alienovna: seu inquisidor
viria após para domar os pêlos.
segunda-feira, agosto 07, 2006
inocências para preparo de aula
entre janeiro e abril: 1898.
revinham da inocência dum
miles e duma flora, as alucina-
das histerias de mrs. narradora.
enquanto a torção não desse
outra volta, o parafuso do tempo,
em bly, deveria suster-se ao acaso -
coincidência un coup de dés - do
espectro de jessel e quint.
são outros: you devil! como que
da estória do bispo de canterbury.
um spiritual phenomena em que
preceptora e discípulos vêem -
sem que eles possam ver -
a perda da inócua pueril(idade).
o coração pára antes que o amb-
ígüo se dissolva. a jovem - pós-paixão
de mr. douglas - nunca torna a ver
o patrão: teria fugido, teria encontrado?
(após the turn of the screw)
domingo, agosto 06, 2006
onqotô
do caos não há,
tudo o que ali é
movimento con-
vergem, vergas de
marias, em ordem.
antes do nada, a
partida. partilha
do branco e do negro
do vermelho e vinho,
corpos.
bere'shith': o nome
tornado matéria negra,
músculos oleosos ou
bicho que se forma
matéria homem.
tudo brusco, com os
pés, consona o único
verso: melodia de timbres
Klangbarbenmelodie.
em grafite - outra forma
do diamante - as tiras de-
limitam a matéria da dança.
anterioriza o tudo material
em apenas movimento. inútil
bibelô de inanção sonora:
styx, pytx, ix. o nascimento
se faz, cópula de corpos: feminino
feminino masculino feminino.
enquanto isso, explode -
as tiras em movimento -
o som reverberado dum
aedo provençal que faz
da dança um só isso.
tudo o que ali é
movimento con-
vergem, vergas de
marias, em ordem.
antes do nada, a
partida. partilha
do branco e do negro
do vermelho e vinho,
corpos.
bere'shith': o nome
tornado matéria negra,
músculos oleosos ou
bicho que se forma
matéria homem.
tudo brusco, com os
pés, consona o único
verso: melodia de timbres
Klangbarbenmelodie.
em grafite - outra forma
do diamante - as tiras de-
limitam a matéria da dança.
anterioriza o tudo material
em apenas movimento. inútil
bibelô de inanção sonora:
styx, pytx, ix. o nascimento
se faz, cópula de corpos: feminino
feminino masculino feminino.
enquanto isso, explode -
as tiras em movimento -
o som reverberado dum
aedo provençal que faz
da dança um só isso.
sábado, agosto 05, 2006
borges à margem

sentado à cama,
os olhos revelam-se
inauditos de traças.
carcomidos, os olhos
tingem-se de ouro, tigre,
e sentenciam enciclopédias.
sentados estão dois
olhos estáticos que, no
entanto, vêem o quadro.
cama solitária, travesseiro
ao centro, ao lado aquele
outro de si coroado pelo borgo.
122 noites para a primeira,
soletra agora mais um texto
à estrela, mas ainda, de terno,
busca não manchar de água e
sal as páginas da black bible
ou da areia de signos que caem
perfazendo um solstício de leituras.
pós-bergman (1)
inverno: luminosa
clareira de sombra
perpetua pelas vi-
draças e frestas da
capela.
tomas: ver o visível,
"que imagem ridícula"
pregada à cruz a dor
de sangue e preto e
branco.
a beata: não concilio
loucura e nervosismo,
em carta expõe-se
ao que tomás depõe,
dobrando o tecido, a
carta.
um retorno
ao que retorna:
etéreos?
clareira de sombra
perpetua pelas vi-
draças e frestas da
capela.
tomas: ver o visível,
"que imagem ridícula"
pregada à cruz a dor
de sangue e preto e
branco.
a beata: não concilio
loucura e nervosismo,
em carta expõe-se
ao que tomás depõe,
dobrando o tecido, a
carta.
um retorno
ao que retorna:
etéreos?
calhau melódico
mozart soando
como loa del mar:
o mar, barricada
de azul-violeta de
ondas.
mas, ainda como
que quem dá as
costas, a areia de
sol refulge o "grande
meio-dia" da inócua
inocência do tempo.
mozart soando
enquanto longas
notas do canto branco
solfeja calêndulas.
forja imagem que
entretece o olhar
de memória,
ainda.
como loa del mar:
o mar, barricada
de azul-violeta de
ondas.
mas, ainda como
que quem dá as
costas, a areia de
sol refulge o "grande
meio-dia" da inócua
inocência do tempo.
mozart soando
enquanto longas
notas do canto branco
solfeja calêndulas.
forja imagem que
entretece o olhar
de memória,
ainda.
palavra e corpo
corpo que samba -
âmbar moroso
em dois tempos -
conduz o bailado
de calor, suor e
luz.
clareia o homem -
longas espáduas
reclinadas -
com a arma na
mão. não há ainda
sequer a lágrima.
salta para o norte -
esquecidos do sal
do mar -
como quem salpica
de areia as pálpebras
pueris das letras, ainda
corporeamente im-
pressisas.
âmbar moroso
em dois tempos -
conduz o bailado
de calor, suor e
luz.
clareia o homem -
longas espáduas
reclinadas -
com a arma na
mão. não há ainda
sequer a lágrima.
salta para o norte -
esquecidos do sal
do mar -
como quem salpica
de areia as pálpebras
pueris das letras, ainda
corporeamente im-
pressisas.
terça-feira, agosto 01, 2006
sophia (2)
em apenas um instante
f o t o g r a f a d o
seu pêlo se desfaz em gris
salteiam os olhos, furtando
o azul ao preto.
como quem olha
e n i g m á t i c a
seu nome rememora a derrota
médica, ou ainda um penteu
senescente que se mascara.
atossa, por ser persa,
sophós, por sabença de que
como se deve vencer um
afago à dona:
conduz, assim, seus feitios
e esguia sobressalta frente
a mariposa que ousa - estática -
sobre os livros na mesa.
f o t o g r a f a d o
seu pêlo se desfaz em gris
salteiam os olhos, furtando
o azul ao preto.
como quem olha
e n i g m á t i c a
seu nome rememora a derrota
médica, ou ainda um penteu
senescente que se mascara.
atossa, por ser persa,
sophós, por sabença de que
como se deve vencer um
afago à dona:
conduz, assim, seus feitios
e esguia sobressalta frente
a mariposa que ousa - estática -
sobre os livros na mesa.
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