domingo, agosto 13, 2006

olímpia. eine freundin.

do monte ida, altas-falanges,
tombou hephaistos, o coxo e
filho de hera, cabelo de vaca.
de lá, o deus sobrevive a exec-
untar obras-escusas, panóplias
dêiticas, excelso de amizade por
ninfas do baixo oceanos. abre-se
a grande caixa de esperas: do neb-
uloso céu desce os olímpicos, sem
linguagem, apenas hermes. neste
florim - nacarado - descreve, a
leitora pungente dos versos, diá-
rios. past eve and adam: a queda
do ovomaltine humpty dumpty:
when i use a word, it means just
what i choose it to mean - neither
more nor less. em tom (h)i(st)r(i)ônico.
das ist: frau olímpia, disse. entoa
aquele sorriso de gargalhada todo
rosto, toada face, matriz do deleit-
oso. sem linguagem, o-de-pés-alados
decifra o gole de acasos que, por uma
noite flava de gema (ou gêmea morada)
os olhos tubérculos de letras. um poliedro
da escritura, proponho a cada diá-
rio. como aquele que ao meio, terceira
margem, se descubriu homem, sendo
donzela e ao fim (ai, meu amor) no meio
quase da rua. ali é seu lugar, posto, obser-
vatório - de vate - para sorver aquosa
linha a linha, palavra a palavra, imago.
do monte ida, desce a que poderia ser
mãe de alexandre - baca, dizem - por
querer grandeza, de vida não de vinho
(semper ez), um pound cada gesto, pois
nada adianta. para essa que de lá sobre-
vem, não tão sem linguagem, há muito
mais que haicai, há sophos, sonhos, sons.
a leitora legisla leitos lépidos e léus ou véus:
de nada precisa estar no helesponto, a chico-
tear o mar, mas ali na tulha com seus frutos
- prendendo-se à crina, a casca dura - e amor.
hulha-azul, tua morada, olímpica serve (cerce-
ando) os manjares ou ambrosias de cacau.
perfaz as folhas das ondas, como lâminas que
cortam o sol, sombreado de livros livres do pó
vermelho e seco deste plano-borboleta em que
pousados, estamos. tonsura cada página a cada
hora, relógio martelado de numes, até nada
mais haver entre as notas e o texto, como cober-
'tas de morango e ovelha. lépida, lenteias a
leitura - prazer mais que barthesiano - está no
além, no afã de. da crisálida, olhos de felicidade,
torno à larva, para apenas reconhecer a quem,
maior que aracne, e miglior fazedora de escudos,
lê leitosas e lentas pomas de versos.

b(l)oom

dom flor: milimétrica
desmesura de palavras.

molly: vilole(n)ta de lenços
à espera, pensa ou goza.

dom flor: passos de pensar
noutra narrativa, vozes.

molly: menção apenas para
50 páginas ao fim, sem ponto.

dom flor: walpúrgico trans-
formaser - mulher de asco.

molly: gilbratar e canteiro
de blooms, solfeja na boca.

dom flor: chapéu ie(vem já)
manjar rim ou mesmo cornos.

molly: ventre seco, menos um
quem nasce, pobre rud-.

dom flor: ? ...

stephen: recalque, fantasma,
pai, hamlet, shxpr. outra forma
de nóstos, sem ítaca. espera res-
piro do sol nos corpos dos bêbados,
anunciando o penman do finn ou
do começo da escrita-
estrita-traum-tura.

para o miguel

hoje, festa de anos
naquela morada de
sonhos ou memória.

hoje, festa de olhos
naquele novo corpo
de peles e sonhos.

hoje, festa de beijos
como quem carece
atenção ou mimo.

hoje, festa de festa
tudo deslumbre de
imenso fungar-te.

hoje, festa azul ou
ocre, entre choro e
respiro, passos e

desequilibro, a vida.

quinta-feira, agosto 10, 2006

variações da fala

no épos: cantar dos estórias
em que a linguagem é apenas
a diferença. desafinar o desalinho
do coro poundiano, para o novo.

livre possessão de mulheres

de uma luz em elêusis, mistério:
esquartejaram o rei, olho-de-cão,
o estado separagmós pelas mãos
de quem, em púrpura, poderia se
confiar ou confinar? o canto em
elêusis não mais não mais, o poeta
parte e se queima a escuridão do
texto - pentâmetros em véu - p/
não mais atormentar a iniciação
das jovens que maldizem, em sua
procela artemísia, aquele seu estado.

ego scriptor cantilenae

ao ouvir le testament -
pound via partitura -
a novidade tornou ao novo.
os ouvidos perplexos de
sopranos desafinando, gemen-
do ou ainda da baladetta canta-
da por um menino que segundo
consta perderá os testículos.
com mélicas, também se bebe
vida - dizem os bêbados do villon
abandonado - ao contrário do
pilão ensangüentado na mão de
mítia. ao ouvir le testament - volta
a novidade, e podemos ter sonhos
de infância.

memória em sonho


havia, segundo consta
pelo caminho, em minha
memória, um cupinzeiro.

destes terra-cota salpica-
dos de gris cegos. fascínio
da infância, com um pau,
quebrar as entradas e

assim também as saídas,
com medo da mordida, tan-
to quanto das formigas cabe-
çudas - quanto açúcar o azul
do céu pelo caminho me dispensa.

desta enorme torre tive notícias
anos após, quando pela primeira
vez vi, o inapreensível vil para vi-
são de uma criança: a babel repre-
sentada pelas mãos do bosch. era,
e até hoje, medonhamente real

aquelas entradas e janelas das línguas
da minha infância: quanto aos cupins,
que provavelmente já desertaram,
suas multi-línguas me sentenciam
em sonho, apenas às vezes (espécie
de felicidade?), como que dizendo que
há algo que não é apenas memória e

escrita; há o tempo e o modo.

tucum

escorre esmalte de tucum
na veia:

do muriti, do muar maldizer.
de fracta:

se diz mulher, morosa, de tear
em que se cose um ponto:

bordado de renda
purpúreo mar de
terra, areia e pó.

brás'ilha (1)


como que de um sobrevôo,
a asa de borboleta percorre
o verde oxigênio que é concreto.
pendendo, feito balança ao
vento, perfaz-se um furo ao
norte da rosácea, toda rubro-terra.

como quem vem e pousa sobre
plano de terra, o sobrevôo desenha
o lume das costas que intervém
no desenho - função de beleza -
vermelho do céu-horizontal:
em todo mármore, fantoches do
populacho, doutro lado soergue-se,
partido ao meio, um buriti rei que
(de) vigília a loba.

terça-feira, agosto 08, 2006

sophia (3)

sobre a tela, com sua cauda,
seus olhos, lânguidos, almejam
um etéreo. talvez, a felina queira,
apenas por um instante, tornar-se
sofia alienovna: seu inquisidor
viria após para domar os pêlos.

segunda-feira, agosto 07, 2006

triste, reconhece a
derrota. menos um,
ao menos.

triste, reconheço a
euforia do que poderia
ser, ao menos.

não, não há euforia no
silêncio, inocente.
desabo, pedra do alto.

cada vez mais é fato,
olho cinzelado, marca
desbotada de muito
pra nada.

inocências para preparo de aula


entre janeiro e abril: 1898.
revinham da inocência dum
miles e duma flora, as alucina-
das histerias de mrs. narradora.

enquanto a torção não desse
outra volta, o parafuso do tempo,
em bly, deveria suster-se ao acaso -
coincidência un coup de dés - do
espectro de jessel e quint.

são outros: you devil! como que
da estória do bispo de canterbury.
um spiritual phenomena em que
preceptora e discípulos vêem -
sem que eles possam ver -
a perda da inócua pueril(idade).

o coração pára antes que o amb-
ígüo se dissolva. a jovem - pós-paixão
de mr. douglas - nunca torna a ver
o patrão: teria fugido, teria encontrado?

(após the turn of the screw)

domingo, agosto 06, 2006

onqotô

do caos não há,
tudo o que ali é
movimento con-
vergem, vergas de
marias, em ordem.

antes do nada, a
partida. partilha
do branco e do negro
do vermelho e vinho,
corpos.

bere'shith': o nome
tornado matéria negra,
músculos oleosos ou
bicho que se forma
matéria homem.

tudo brusco, com os
pés, consona o único
verso: melodia de timbres
Klangbarbenmelodie.
em grafite - outra forma
do diamante - as tiras de-
limitam a matéria da dança.

anterioriza o tudo material
em apenas movimento. inútil
bibelô de inanção sonora:
styx, pytx, ix. o nascimento
se faz, cópula de corpos: feminino
feminino masculino feminino.

enquanto isso, explode -
as tiras em movimento -
o som reverberado dum
aedo provençal que faz
da dança um só isso.

sábado, agosto 05, 2006

abre mélica
nóos do editor
homerós

abre mélica
nóos do leitor
borges.

abre mélica
nóos do escritor
mallarmé.

abre mélica
nóos do

borges à margem



sentado à cama,
os olhos revelam-se
inauditos de traças.

carcomidos, os olhos
tingem-se de ouro, tigre,
e sentenciam enciclopédias.

sentados estão dois
olhos estáticos que, no

entanto, vêem o quadro.

cama solitária, travesseiro
ao centro, ao lado aquele
outro de si coroado pelo borgo.

122 noites para a primeira,
soletra agora mais um texto
à estrela, mas ainda, de terno,

busca não manchar de água e
sal as páginas da black bible
ou da areia de signos que caem

perfazendo um solstício de leituras.

pós-bergman (1)

inverno: luminosa
clareira de sombra
perpetua pelas vi-
draças e frestas da
capela.

tomas: ver o visível,
"que imagem ridícula"
pregada à cruz a dor
de sangue e preto e
branco.

a beata: não concilio
loucura e nervosismo,
em carta expõe-se
ao que tomás depõe,
dobrando o tecido, a
carta.

um retorno
ao que retorna:
etéreos?
ausentes aqueles
aquários forjados

soluçam.

calhau melódico

mozart soando
como loa del mar:
o mar, barricada
de azul-violeta de
ondas.

mas, ainda como
que quem dá as
costas, a areia de
sol refulge o "grande
meio-dia" da inócua
inocência do tempo.

mozart soando
enquanto longas
notas do canto branco
solfeja calêndulas.

forja imagem que
entretece o olhar
de memória,
ainda.

palavra e corpo

corpo que samba -
âmbar moroso
em dois tempos -
conduz o bailado
de calor, suor e
luz.

clareia o homem -
longas espáduas
reclinadas -
com a arma na
mão. não há ainda
sequer a lágrima.

salta para o norte -
esquecidos do sal
do mar -
como quem salpica
de areia as pálpebras
pueris das letras, ainda
corporeamente im-
pressisas.

terça-feira, agosto 01, 2006

sophia (2)

em apenas um instante
f o t o g r a f a d o
seu pêlo se desfaz em gris
salteiam os olhos, furtando
o azul ao preto.

como quem olha
e n i g m á t i c a
seu nome rememora a derrota
médica, ou ainda um penteu
senescente que se mascara.

atossa, por ser persa,
sophós, por sabença de que
como se deve vencer um
afago à dona:

conduz, assim, seus feitios
e esguia sobressalta frente
a mariposa que ousa - estática -
sobre os livros na mesa.