terça-feira, novembro 03, 2009

nênia para lévi-strauss



trópicos de ocas – o som oco do
negro, da sombra suspeita – riste
ethos de marcas – corpo de índio –
o andar de âmbares, nadar de
mitos: cosmografia de harmonia,
olhos de cru, de nódoas bororos –
corados sangradouros – o sonho
do sozinho, calar de expedição,
invento da carne, intento de tato.

incerto o pai, o filho decai em raça,
em flechas de pensar a selva oscura:
o tempo borraça, moçar de provença –
tristes moradas, borrados de signos
ágrafos, objetos de homem.

3 comentários:

Andrea Liette disse...

Passei somente para pasmar diante
de tanta grandeza e sofisticação de sua linguagem. Você é uma revelação para a nossa literatura.

Confesso: não é de fácil tradução e leitura.

Andrea.

piero eyben disse...

obrigado andrea,
esperando sempre te reencontrar por aqui, nessas obscuridades.

Andrea Liette disse...

pois não é do obscuro que revela-se a luz ?

abraço, ave.